terça-feira, 23 de setembro de 2008

Os sofrimentos do jovem Werther

Como a espécie humana é uniforme! A maioria sofre durante quase todo o seu tempo, apenas para poder viver, e os poucos lazeres que lhes restam são de tal modo cheios de preocupações, que ela procura todos os meios de aliviá-las. Oh, destino do homem! (...) Porque é que aquilo que faz a felicidade do homem acaba sendo, igualmente, a fonte de suas desgraças? (...) Tudo nos falta quando estamos em falta conosco mesmos! (...) mas é em mim que está a fonte de todos os meus males, como outrora a fonte de toda a minha felicidade.


Os Sofrimentos do Jovem Werther(1774) - Johann Wolfgang von Goethe


Me desculpem pela falta de posts. Temo, entretanto, que o blog "O Anjo Exterminador" possa estar chegando nos seus últimos dias.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Lilium

domingo, 7 de setembro de 2008

Sonata de Outono

"Às vezes, quando fico acordada à noite, me pergunto se realmente tenho vivido. Será que é assim, para todo mundo? Ou será que algumas pessoas têm mais talento para viver do que outras? Ou será que há pessoas que nunca vivem? Mas simplesmente existem? Então, o medo me pega e vejo um retrato horrível de mim mesma. Eu nunca amadureci. Meu rosto e meu corpo envelheceram, mas por dentro nunca nasci."


Charlotte (Ingrid Bergman) em Sonata de Outono (HorstSonat) do diretor sueco Ingmar Bergman.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Apresentando "Pleroma"

O vento soprava, balançando as folhas das grandes árvores da rua da Liberdade. O jardim da família Souza possuía um abeto balsâmico que exalava uma fragrância agradável e possuía as agulhas num tom verde escuro. O Natal estava próximo e Alberto Souza decidira comprar um abeto balsâmico ao invés de um abeto Frasier, uma vez que as condições climáticas de Pleroma eram consideradas ideais para seu crescimento, favorecido ainda mais pelo solo com boa drenagem que o seu jardim oferecia. Como uma autêntica família cristã, os Souza sempre se reuniam para comemoração do Natal e a decoração da árvore já se tornara uma tradição.

Ao lado da casa dos Souza, estava a mansão de Moisés Klabim, um refugiado judeu da Segunda Guerra Mundial. Com uma arquitetura clássica, a casa possuía dez grandes portas na entrada, cada uma composta por vitrais com inscrições dos dez nomes divinos, representando as dez emanações de Ain Soph na cabala, segundo o Sephirotic System. As dez entradas levavam a quatro grandes salas, cada uma com uma descrição: Atziluth, Beriah, Yetzirah e Asiyah. Essas salas interconectadas às dez grandes portas representavam a manifestação das emanações em quatro diferentes planos. Uma dessas salas permanecia vazia, sendo as outras três formadas por colunas em estilos dórico, coríntio e jônico. A casa possuía vinte e dois cômodos, em referência às vinte e duas ligações que os Sephiroth são conectados na árvore da vida.

Em frente à residência dos Klabin, estava a casa de Ingrid Sarahi. A casa era composta de traços abobadados, onde na parte central havia um domo circular decorado por arabescos. A parte interior possuía paredes decoradas com folhagens estilizadas, algumas inscrições em árabe com citações do Alcorão, e desenhos com arabescos nas paredes azulejadas, além de possuir arcos interiores em forma de ferraduras. Os desenhos repetidos sugeriam o infinito, simbolizando o poder infinito de Alá e as formas majestosas, com minaretes elevados que transmitiam energia e poder. Na parte externa, havia uma pequena mesquita construída seguindo a arquitetura otomana. Apesar do tamanho reduzido, na mesquita podia-se encontrar um espaço interno confinado por abóbadas, buscando uma harmonia entre os espaços interiores e exteriores, assim como entre a luz e a sombra. A parede era coberta por arabescos, reproduzindo um equilíbrio estético e técnico de muita elegância e de forma transcendental e divina. Sarahi fugiu do Líbano no final da década de 80, em consequência das invasões aéreas israelitas e acabou adotando Pleroma como lar.

A última casa da rua da Liberdade era da família Feng. A residência possuía uma atmosfera de grandiosidade e mistério, espalhada por um grande terreno, com jardins e pátios entre várias alas. Os telhados foram construídos sobre portões, com os beirais formando graciosas curvas para cima. Guo Feng chegou a Pleroma durante a revolução comunista chinesa de 1949 sob a liderança de Mao Tsé-Tung, trazendo consigo a religião budista e a filosofia de vida do Oriente. A parte interior da casa era simples e refinada. Painéis corrediços de madeira e de papel de arroz subdividiam as áreas internas em séries de espaços arejados. Quatro escadas davam acesso à parte superior e simbolizavam As Quatro Nobres Verdades, um dos principais ensinamentos de Buda. Em cada uma das quatro escadas haviam duas descrições, onde cada uma das descrições fazia referência a um dos oito caminhos nobres, chamado de O Nobre Caminho Óctuplo, que, segundo Buda, é um remédio que leva à aniquilação dos males.

Na parte central da rua da Liberdade, havia a praça da Fraternidade. Todos os domingos, as famílias Souza, Klabin, Sarahi e Feng se reuniam ali. As crianças andavam de bicicleta, brincavam de pião e corriam livremente. Os adultos buscavam renovação espiritual em meio àquele local de tranquilidade, ao canto dos pássaros e o verde das inúmeras árvores, flores e jardins, cada um segundo sua crença e filosofia de vida.

Essa era a praça da Fraternidade, localizada no centro da rua da Liberdade, num lugar chamado Pleroma.

***

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Porque não sabe amar.




Claudia: - No fundo, a culpa é dele. O que ele espera dos outros?
Guido: - Acha que não sei disso? Você também é chatinha!
Claudia: - Você não aguenta críticas, não é?
- Está engraçado com esse chapelão de velho!
- Não entendo. Ele acha a garota que pode devolver-lhe a vida... e a rejeita?
Guido: - Porque não acredita mais.
Claudia: - Porque não sabe amar.
Guido: - A mulher não faz o homem.
Claudia: - Porque não sabe amar.
Guido: - E sobretudo porque não quero outra história mentirosa.
Claudia: - Porque não sabe amar.
Guido: - Lamento ter feito você vir até aqui. Peço desculpas.
Claudia: - Que salafrário você é! Então esse papel não existe?^
Guido: - Você tem razão. O papel não existe. Nem mesmo o filme existe. Não existe nada em parte alguma.


Diálogo entre Claudia e Guido no filme "8 e meio" do diretor italiano Federico Fellini.

domingo, 6 de julho de 2008

zzz...

Me desculpem...
Me encontro em crise de criatividade. O hemisfério direito do meu cérebro está adormecido. Quando ele acordar de seu sono, novos posts serão acrescentados.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Música

Olá, amigos leitores.

Como todos já sabem, o blog "O Anjo Exterminador" tem como uma de suas principais características a sonoridade. A música sempre teve espaço aqui, seja no comentário das minhas "monótonas" noites de domingo, ou nos contos, onde sempre há uma descrição musical e muitas delas são colocadas aqui para que todos possam acompanhar. Com base nisso, resolvi criar um espaço exclusivo pra músicas, no qual toda semana novas faixas serão apresentadas, juntamente com uma breve descrição.

E para começar, a escolha foi... Robert Allen Zimmerman!

Robert Allen Zimmerman, popularmente conhecido como Bob Dylan, talvez seja um dos maiores compositores americanos de todos os tempos. Na sua infância aprendeu piano e guitarra sozinho. Nessa época também começou a escrever seus primeiros poemas. Iniciou cantando em grupos de rock, mas acabou voltando-se para a música folk, quando lançou seu primeiro Album em 1962, com o nome "Bob Dylan". No segundo Album, “The Freewhellin' Bob Dylan”(1963), apresentou ao mundo a música "Blowin' in the wind". Essa canção acabou sendo adotada como hino do movimento dos direitos civis.

Ao longo de sua carreira, passou por uma transição de estilos, sempre acompanhado por suas fases, influenciado por questões sócio-políticas, sua conversão ao cristianismo, depois ao judaísmo. Mas seja no Folk, no Country, no Blues, ou no Rock, utilizando sua voz, seu violão, seu baixo, sua gaita, ou sua guitarra, Dylan faz música e suas canções marcaram época.

Dylan também é pintor e em 1994 lançou um livro de desenhos chamado "Drawn Blank" e também escreveu um livro: "Tarântula", publicado em 1971.

Suas canções com linguagem poética trazem muitas respostas para questões políticas da nossa sociedade, tendo influência nos rumos da música só comparável à dos Beatles.

"quantas estradas deve um homem percorrer, até que possa ser chamado de homem (...) quantas vezes as balas de canhão devem voar, até que sejam banidas para sempre? A resposta, meu amigo está soprando no vento"
(Bob Dylan)